Surpreenda-se com 10 mitos sobre vinho que você não sabia

  É plausível considerar a quantidade de mitos que cerceiam o universo do vinho. Porém, escolhi os dez mais relevantes apenas com o intuito de simplificar a vida do leitor! Baseei-me no livro da Jancis Robinson, a mais respeitada crítica de vinhos do mundo. Jancis elenca seus dez, no entanto, eu os modifico um pouco!

1 – O vinho melhora com a idade

  Segundo Jancis, isto provavelmente é verdade para menos de 10% de todos os vinhos da atualidade. Rosés, quase todos os brancos e os tintos de marcas e cortes mais básicos são feitos para serem consumidos em até um ano após o engarrafamento. Apenas os vinhos mais grandiosos, sobretudo os da França e Itália, são elaborados com o propósito de guarda. Uma vez, estive em uma degustação na França e provei um vinho de guarda de um Chateau famoso. Apresentava muita acidez e eu não consegui imaginar como ele se tornaria após 20 anos, faltou-me litragem.

2- Vinhos com tampa de rosca (screw caps) são inferiores aos vinhos com rolhas de cortiça natural.

  Nem sempre! Durante séculos a rolha de cortiça fora utilizada por sua neutralidade, durabilidade e porosidade, possibilitando uma pequena entrada de ar que ajudava o vinho a envelhecer. No entanto, no século passado, fabricantes de rolhas descuidaram da qualidade e os produtores de vinho perceberam um aumento da quantidade de garrafas afetadas por rolhas mofadas. Rolhas com mofo alteram o vinho, deixando-o desagradável. Por essa razão, cada vez mais produtores utilizam-se de rolhas sintéticas ou tampa de rosca. Adicionalmente, já há vinhos envelhecidos com a tampa de rosca por uma e duas décadas e segundo os degustadores, estas levam vantagem.

3- Quanto mais pesada e cara a garrafa, melhor o vinho.

  É uma jogada de marketing que pode por vezes não agradar ao consumidor a posteriori. Manusear uma garrafa pesada pode ser desconfortável. Além de encarecer o preço do vinho, dificulta seu transporte já que as 16 garrafas permitidas em viagens ao exterior ultrapassam o limite de quilos por bagagem das companhias aéreas quando os produtores utilizam garrafas mais pesadas.

4- Vinhos do Velho Mundo sempre são melhores que os do Novo Mundo.

  Há vinhos excelentes e ruins em qualquer lugar.

5- Vinho tinto é mais forte do que branco.

  Há vinhos tintos atualmente com teor alcoólico de 12%, por exemplo, vinhos brasileiros feitos com a uva Merlot ou vinhos tintos de clima frio.

6- Deve-se harmonizar vinho branco com carnes brancas e vinhos tintos com carnes vermelhas.

  Há uma série de elementos a considerar, não há uma regra fixa. Um vinho tinto pode harmonizar com carne branca, como por exemplo, um Pinot Noir com pato. Geralmente uma comida mais intensa em sabores harmonizará bem com um vinho intenso, por exemplo, vinhos feitos com a uva branca riesling harmonizam bem com comida tailandesa por causa de suas intensidades aromáticas.

7-  Vinhos rosés e doces são para mulheres.

  Bobagem.

8- No restaurante, o garçom serve o vinho primeiro para o homem, para que ele decida se gosta da bebida.

  Na verdade, o garçom serve uma pequena dose para o homem para que ele se certifique que não haja nada de errado com o vinho, ou seja, ver se não está “estragado”. O principal motivo para se trocar a garrafa é rolha contaminada, que deixa o vinho com um cheiro desagradável de mofo.

9- Vinhos melhoram quando são decantados.

  A minoria. Jancis argumenta ser cética sobre a hipótese de que muita coisa pode acontecer ao vinho apenas pelo contato com o oxigênio. A aeração de um vinho velho e frágil pode destruí-lo. No entanto, decantar um vinho jovem e muito tânico por uma ou duas horas pode torná-lo um pouco menos áspero. Outro exemplo positivo são alguns vinhos tintos de Bordeaux, em que a aeração permite o realce de seus taninos e perfumes.

10- Brancos precisam ser servidos gelados e tintos em temperatura ambiente.

  Em parte. Alguns vinhos tintos devem estar mais gelados que outros, por exemplo, vinhos provenientes da uva pinot noir devem estar mais gelados que os Sirah e podem ficar na mesma temperatura de um vinho branco Chardonnay que passou por barrica de carvalho. A temperatura tem a ver com o corpo do vinho e não necessariamente com sua cor. Além disso, temperatura ambiente quase não existe no Brasil. A menos que estejam entre 15 e 18 graus no seu ambiente, o caro enófilo irá precisar de um balde de gelo para o seu vinho tinto.

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