Conheça algumas trajetórias de sucesso – Grand Terroir entrevista

Vicente Jorge, Marcelo D’Arienzo e Rogério Salume concederam ao Grand Terroir uma entrevista exclusiva. Confira um pouco de suas trajetórias de sucesso no mundo do vinho: 

Entrevista Vicente Jorge (Wine Hunter da Wine.com.br)

  • Poderia nos contar um pouco da sua trajetória acadêmica e profissional?

Como todo início, fiz ABS, WSET, me especializei em enogastronomia, estagiei em várias vinícolas pelo mundo e ajudei a formar a equipe de sommelier do SENAC SP há oito anos atrás. Além disso, tenho cinco títulos de honra na França, um na Espanha e um em Portugal. Meu conselho é: seja autodidata, nesse ramo o que vale é a “litragem”.

 

  • Conte-nos três qualidades suas e três hobbies.

Acho que uma qualidade é que sempre selecionei vinhos vendáveis, porque não adianta o vinho ser bom só para mim. Ele tem que ser comercial. Eu costumo dizer que sou um sommelier comercial, talvez isso venha da minha descendência libanesa.

Sobre meus hobbies, um deles é meias coloridas. Hoje tenho em torno de 150 pares e esse número só aumenta, não sei mais onde guardá-las (risos). Além disso, tenho cinco cachorros adotados que foram tirados da rua e um dachshund e sou aficionado por charutos cubanos.

 

  • Conte-nos um pouco sobre qual é o seu trabalho como WineHunter.

Realmente é um trabalho de caça, você fareja as tendências e busca vinícolas que possam ter algo a oferecer. Hoje é difícil achar vinho ruim, mas é fácil achar vinho sem identidade e padronizado. Não é isso que buscamos, queremos algo maior do que só ser bom. Provamos mais de 2.000 vinhos por ano em nossas seleções e aprovamos uma média de 15%.

 

  • Conte-nos uma das melhores experiências que já teve no mundo do vinho.

Para mim, a Premieur, em Bordeaux, é a melhor experiência. O exercício de provar o vinho antes de sair para o mercado e perceber o que vai ser esse vinho daqui a dez anos é incrível.

 

  • Como você vê o mercado de vinhos no Brasil no futuro?

Sem dúvida é um mercado crescente, porém, de vinhos simples e baratos por conta da situação atual de câmbio e impostos. O nosso desafio é encontrar bons vinhos nessa faixa de preços.

 

  • O que você diria para as pessoas que estão começando a tomar vinho agora?

É um caminho sem volta, o vinho vai fazer parte da sua vida. Não tente substituir todas as bebidas que você gosta por vinho. Haverá momentos e lugares certos para cada tipo de bebida. Mas, no final, você vai querer que todos esses momentos e lugares sejam moldados ao consumo do vinho.

Entrevista Marcelo D’Arienzo (CEO da Wine.com.br)

Créditos: Marcus Samed
  • Poderia nos contar um pouco da sua trajetória acadêmica e profissional?

Eu sempre tive aptidão e gosto por coisas diferentes, então resolvi fazer administração de empresas na FAAP e tive sempre a ideia de começar a trabalhar cedo. Comecei a estagiar no terceiro semestre da faculdade e nunca mais parei. Sempre gostei de buscar novos problemas para resolver e novos desafios que me deixassem entusiasmado.

Meu primeiro estágio foi no setor imobiliário, depois fui para uma empresa de tecnologia e, depois disso, trabalhei em um banco e uma empresa de consultoria estratégica. Foi na consultoria estratégica que me encontrei e acabei ficando quase oito anos na Monitor [Deloitte]. Foi ali que aprendi a trabalhar: identificar problemas, contextualizar e trazer uma solução estruturada.

Depois da Monitor, fui para a Península Participações e lá pude aplicar todo o conhecimento que desenvolvi em todos os trabalhos que passei. Foi lá que conheci a Wine, como uma das empresas que encontrei para a Península investir. Fiz o investimento em agosto de 2016 e agora, no início de 2019, fui convidado pelo Rogério para assumir a Wine.

 

  • Conte-nos três qualidades suas e três hobbies.

Meus hobbies são fáceis. Minha principal paixão são os cavalos, sou praticante de hipismo. Uma segunda paixão, obviamente, é pelos vinhos e, a terceira, é por viajar, que é onde eu consigo juntar as duas coisas: tanto conhecer vinícolas e lugares bacanas, quanto a questão dos cavalos e do hipismo mundo afora.

Acho que as minhas três principais qualidades são as três que eu herdei do meu pai: determinação e garra, humildade e perseverança e a terceira seria ter o nível de ambição certo para poder executar.

 

  • Quais são seus valores?

Disciplina, humildade, determinação, garra, resiliência. São os valores fundamentais que vieram da minha família.

 

  • Qual seria seu conselho para alguém que quer fazer carreira no mundo do vinho?

É uma boa pergunta! O mundo do vinho tem algumas características muito importantes. É uma indústria muito antiga que, em alguns aspectos, ainda funciona como há muito tempo atrás. É um mercado muito baseado em relacionamento. Apesar de hoje ter uma escala industrial, os relacionamentos são fundamentais para essa relação com o mundo dos vinhos.

Eu procuraria, antes de tudo, para qualquer tipo de carreira, uma estrutura profissional com uma cabeça lógica de raciocínio e uma base analítica. Depois, se realmente o vinho é o que te apaixona, é importante desenvolver bons relacionamentos, porque eles serão fundamentais para que você consiga vencer no mundo do vinho.

 

  • Quais são os planos da Wine para este ano e qual é a sua visão da Wine para o futuro?

A Wine hoje está muito focada em atender seus assinantes em uma ocasião de compra, que é o momento de descoberta e reabastecimento através do clube. Além disso, temos o e-commerce que oferece oportunidades para esses assinantes, principalmente, comprarem mais vinhos.

A Wine está se estruturando para poder atender àquilo que nosso consumidor quiser em qualquer momento do consumo de vinho. Vamos buscar atender a todas as ocasiões de vinho além dessas que já atendemos. É por isso que queremos crescer no B2B, que é o atendimento em restaurantes e hotéis, lojas físicas que vamos lançar ainda nesse primeiro semestre. Queremos também estar presentes nos momentos especiais da vida das pessoas, como casamentos, formaturas – através da Wine Eventos –, introduzir as pessoas no mundo do vinho e desenvolver parcerias para onde mais nosso consumidor estiver e comprar nosso vinho. Onde houver consumo, a Wine quer estar presente, seja onde for.

 

  • Em um mercado tão competitivo, como garantir que os pequenos produtores tenham espaço na Wine? Isso seria uma preocupação da Wine?

Acho que sim. Através da assinatura do Clube e dos nossos WineHunters, queremos desenvolver relacionamento tanto com os grandes, quanto com os pequenos produtores e dar acesso a esses vinhos para os nossos assinantes. Aí o papel do WineHunter é fundamental. Eles viajam pelo mundo para criar esses relacionamentos e encontrar oportunidades. Assim, a Wine, como parceiro sério e com credibilidade, pode trazer um mínimo de escala para esse pequeno produtor, para ser interessante para ele e também para nossos assinantes.

 

  • Qual é sua opinião sobre o mercado de vinhos orgânicos? A Wine tem a pretensão de atender a esse público?

O mercado de orgânicos como um todo está crescendo muito, mas ainda é imaturo no Brasil. Eu já estudei esse mercado com detalhes, não só de vinhos, e você percebe que ele é forte naquilo que é mais relevante, como as hortaliças e os vegetais crus, que é onde você tem o benefício orgânico de forma mais objetiva.

Acho que isso vai chegar no mercado dos vinhos, mas isso não pode ser um nicho dentro do nicho, ele precisa ser algo que o consumidor aceite e esteja disposto a pagar por isso, porque, normalmente o mercado de orgânicos tem um prêmio de 30% a 50% no preço, então precisa entender se o consumidor está realmente disposto a pagar por esse prêmio. Tem que ser bom para todos, não só para o produtor, mas para o cliente também.

 

  • Como você vê o mercado de vinhos no Brasil no futuro?

Os vinhos nacionais têm tudo para crescer. Vemos uma grande diversidade e também os espumantes brasileiros despontando como um produto de muita qualidade. Então, o Brasil que, teoricamente, não é um país produtor – boa parte do consumo ainda é de vinhos importados – caminha para ter especialidades muito claras. Assim, a oferta do vinho nacional pode ser tão boa quanto dos vinhos importados. O que precisamos agora é ter a escala de mercado para podermos oferecer um preço competitivo.

 

  • O que você diria para as pessoas que estão começando a tomar vinho agora?

Eu diria para elas provarem. Primeiro, ter a clareza de que vinho barato não é sinônimo de vinho ruim, porque existem bons vinhos de todos os preços. Tendo isso claro, seria legal provar o maior número de rótulos de vinhos, porque a pessoa vai se surpreender com aquilo que ela gosta – e também com aquilo que ela não gosta.

Se a pessoa está se iniciando nesse mundo, não ter a vergonha de provar vinhos mais em conta e, além disso, provar bastante variedade, porque é justamente nesse processo que você vai descobrir o que lhe agrada e o que não. E é justamente por isso que temos nosso clube de assinaturas, para introduzir os consumidores nesse universo do vinho.

Entrevista Rogério Salume (Presidente do Conselho da Wine.com.br)

  • Poderia nos contar um pouco da sua trajetória acadêmica e profissional?

Eu sou jornalista, pós-graduado em Marketing pela FGV. Tenho especialização em Finanças pelo IBMec. Desde sempre trabalhei com vendas e logística e toda a minha bagagem vem de relacionamentos e vendas.

Antes de fundar a Wine, em 2008, eu já trabalhava com vinho há cinco anos. Tive uma longa experiência em distribuição e vendas, em que minha principal escola foi a Universidade Martins de Varejo, de Uberlândia. Quando saí de lá, fui empreender, montar minha própria empresa, uma pequena distribuidora de food service.

Dentre essas oportunidades, apareceu a Decanter [importadora], onde fui representante de distribuição no estado do Espírito Santo, comecei a estudar e gostar do ambiente do vinho, das negociações e vendas. Foi aí que optei pelo vinho em detrimento de outras coisas.

Em 2003, tive a ideia de vender vinho pela internet, porque ninguém fazia isso. Foi em 2004, então que nasceu a Estação do Vinho e até 2008 tivemos muito sucesso. Em 2008 mesmo vendi a empresa para alguns investidores e fui para um projeto maior e mais estruturado, que foi a Wine.

 

  • Como a Wine.com.br surgiu? (Como surgiu a ideia)

A Wine surgiu em 2008 de uma decisão minha e do primeiro sócio [Anselmo] que tive. Naquele momento, tivemos a ideia de fazer algo maior do que estávamos fazendo e tomamos a decisão de vender nossa participação na Estação do Vinho e criar a Wine, como um projeto maior e mais bem estruturado.

 

  • Se você fosse dar um conselho ao Rogério no início de sua trajetória empreendedora no mundo do vinho, qual seria?

Repita tudo o que você fez com mais paixão e mais motivação ainda.

 

  • Conte-nos três qualidades suas e três hobbies.

O primeiro deles é cozinhar. O segundo é esporte, eu sou apaixonado pelo mar, por esportes de mar, como velejar, por exemplo. E, por último, viajar.

Sobre as qualidades, sou muito dedicado às pessoas, ou seja, valorizo muito o ser humano. Sou também um cara muito motivado, que procura sempre motivar as pessoas. Gosto de tirar as pessoas de suas zonas de conforto. E, além disso, saber compartilhar – as decisões, os grandes momentos, valorizar as pessoas que alcançam o sucesso. Isso está muito ligado ao que eu disse antes, que é valorizar sempre o ser humano.  

  • Quais são seus valores?

Ética, transparência e família.

 

  • Em um mercado tão competitivo, como garantir que os pequenos produtores tenham espaço na Wine? Isso seria uma preocupação da Wine?

Sim. Isso é uma preocupação que temos e um trabalho que fazemos. Hoje, as pessoas olham para o tamanho da Wine e pensam que só trabalhamos com produtores e empresas grandes, mas isso não é verdade. A gente trabalha também com microprodutores, famílias.

A gente negocia, debate, degusta vinhos na mesa com pais, esposas, filhos que são produtores. Eles mesmo que fazem, cultivam as uvas, cuidam do campo. Temos centenas de parceiros fornecedores familiares no mundo todo.

Temos essa preocupação desde o início, de não estar só vinculados com grandes empresas [que temos também, claro, porque faz sentido], mas a Wine é uma empresa que gera momentos de prazer e experiência para seus clientes. Por isso, o time de WineHunters viaja, estamos sempre preocupados em trazer produtos diferentes, especiais e isso não está só com as grandes empresas, mas também com aquelas famílias produtoras.

 

  • Qual é sua opinião sobre o mercado de vinhos orgânicos? A Wine tem a pretensão de atender a esse público?

Nós já temos vinhos orgânicos. Eu, particularmente, junto com o Vicente, como em todas as degustações que fazemos, degustamos vinhos orgânicos. Esses dias, inclusive, degustamos vinhos veganos. Estamos trazendo vinhos orgânicos e veganos para o Brasil.

A legislação para a importação de vinhos orgânicos é muito complicada. Nossa lei diz que laboratórios que autorizam que o vinho seja orgânico lá fora [do Brasil têm que ser filiados a laboratórios daqui do Brasil, homologados etc. É bastante complicado.

Mas temos, sim, vinhos orgânicos. Já faz tempo, inclusive, que trazemos vinhos biodinâmicos. É um mercado que está acontecendo, crescendo, mas ainda é muito pequeno. A gente olha e acredita muito, mas realmente ainda é pequeno.

 

  • Como você vê o mercado de vinhos no Brasil no futuro?

Eu acho que vamos ter muitas alegrias e muitas coisas boas acontecendo. Já somos nacional e internacionalmente conhecidos pelos nossos excelentes espumantes. A indústria nacional se especializou de forma profunda em espumantes.

No passado, a pessoa fazia vinho e praticamente tudo: plantava as uvas e o que desse melhor ela colhia. Agora já temos a tecnologia aplicada, os enólogos e as famílias estão fazendo intercâmbio, fazendo benchmark, entendendo melhor o seu terroir, o que é melhor na sua região e isso tem trazido resultados incríveis.

Você vê hoje vinhos brancos maravilhosos sendo feitos em Santa Catarina, por exemplo, além de tintos, brancos e espumantes na região sul do país. Então eu tenho uma crença de que seremos muito mais reconhecidos e valorizados pelos brasileiros, que é o mais importante. Não adianta termos um produto bacana sendo reconhecido lá fora, mas aqui o cara não quer comprar porque acha que não é bom. Muito pelo contrário, é bom, é bem feito e não deixa nada a desejar em relação a nenhum vinho do mundo.

Obviamente que você vai ter as características de cada região, mas estamos evoluindo e indo para um caminho sem volta de qualidade, competência e posicionamento de mercado.

 

  • Qual é a sua visão da Wine no futuro?

Nosso projeto está 1,5% realizado, então temos ainda 98,5% de projetos e vontade para fazer um futuro para a Wine. Eu vejo como um futuro maravilhoso, principalmente com boas pessoas, orientadas para aquilo que a empresa nasceu para fazer, que é gerar momentos de prazer, atender bem o cliente, o fornecedor, ser um elo ético, transparente de produção e consumo, ser uma empresa compliance. Estamos com investimentos altos em tecnologia, parceiros sólidos e muito fortes.

Para resumir, queremos ser uma empresa “all line”. A Wine hoje é online e nós queremos ser all line, ou seja, queremos estar presentes no momento em que o cliente decidir comprar um vinho, seja numa loja, num aplicativo, internet, restaurante. Queremos estar disponíveis e presentes para que esses momentos de prazer sejam cada vez melhores.

 

  • O que você diria para as pessoas que estão começando a tomar vinho agora?

Aproveitem, aprendam e deixem de frescura! O vinho é uma bebida milenar, não precisa ter taça de cristal, não precisa ter decanter, muito menos saber sentir aromas e retrogostos. Abra uma garrafa de vinho e beba. Se gostar, tome outra. Se não gostar, troque porque tem mais de dois milhões de rótulos disponíveis do mundo. Vinho sem frescura é a melhor coisa que tem, vinho é uma bebida para se tomar com os amigos, com a família, em momentos bacanas, no momento que você desejar. Sem frescura!

 

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